terça-feira, 8 de Dezembro de 2009

Ler - Dezembro

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segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009

Musicografias

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Dei por mim estes dias a pensar que nós, portugueses, e eu, em particular, não valorizamos a cultura brasileira. Frequentemente por desconhecimento, mas também por algum desdém fruto de, nas nossas mentes, os brasileiros ainda serem de algum modo apenas os colonos pouco relevantes que deixámos na terra que (petulantemente) dizemos que descobrimos. Ou talvez se prenda com o facto da minha geração ter crescido apenas com a imagem do Brasil que nos chegava pelas telenovelas. Mas o país de Niemeyer, Luis Fernando Veríssimo, Clarice Lispector (já aqui falada), Chico Buarque, Tom Jobim, e muitos, muitos mais não pode, claramente, ser entendido como um deserto cultural, mas como um meio muito rico cultural e intelectualmente falando.
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A minha escolha deste mês vai para uma música de Chico Buarque, que se questiona como somos, porque somos, e porque nem sempre nos reconhecemos no que fazemos. Chama-se "O que será": "feita para o filme "Dona Flor e Seus Dois Maridos", a canção "O Que Será" tem três versões, que marcam passagens diferentes da trama: "Abertura", "À Flor da Pele" e "À Flor da Terra". Cantada no filme por Simone, a versão "À Flor da Terra" (três estrofes de doze versos) alcançaria grande sucesso na gravação de Chico Buarque e Milton Nascimento, que abre o LP Meus caros amigos. "O Que Será", em qualquer das versões, é uma obra-prima, no nível das melhores criações de Chico Buarque, com sua melodia forte e sua letra libertária, um tanto ambígua em certos aspectos: "O que será que será / que todos os avisos não vão evitar / porque todos os risos vão desafiar / porque todos os sinos irão repicar / porque todos os hinos irão consagrar..." Em 15.9.92 (...) declarou ao Jornal do Brasil: "acho que eu mesmo não sei o que existe por trás dessa letra e, se soubesse, não teria cabimento explicar..." [cfr www.chicobuarque.com.br]Pois então, o que será?
Joaquim Silva


segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

Feira do Livro 2009

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O cenário...
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A inauguração...
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A sessão com o escritor Richard Zimler (23/11)
Alunos do secundário
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A dramatização de O que queres ser, Bruno? (25/11)
Pelos alunos do 9ºA, para os meninos do pré-escolar
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Sessão com a escritora Luísa Fortes da Cunha (27/11)
Alunos do 5ºAno
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Sessão com a escritora Madalena Santos (27/11)
Alunos dos 8º e 9º Anos
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Nota
Faltam ainda as imagens das sessões com os escritores Carlos Campos (1ºCiclo) e Ana Saldanha (6º e 7ºAnos), que conto ainda publicar.
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sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

Feira do Livro (23 a 27 de Novembro)

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A Feira do Livro do Colégio Luso-Francês terá início no dia 23 de Novembro, segunda-feira, com uma sessão inaugural que contará com a presença de toda a comunidade educativa. Será uma cerimónia recheada de surpresas e de diferentes manifestações artísticas. Na Feira estarão representadas as editoras Leya (Caminho, Dom Quixote, Novagaia, Gailivro, Asa, Texto Editores...), Porto Editora, Cosmorama, Trinta por uma linha, Bertrand e, ainda, a Livraria Britânica.
Durante a semana, o Colégio receberá escritores e ilustradores em todos os Ciclos:
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Pré-escolar: dramatização da obra O que queres ser, Bruno?
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1ºCiclo - escritor e ilustrador Carlos Campos
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2ºCiclo (5ºano) -escritora Luísa Fortes da Cunha
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2º Ciclo (6ºAno) e 3ºCiclo (7ºAno) - escritora Ana Saldanha
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3ºCiclo (8º e 9º Anos) -escritora Madalena Santos
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Secundário - escritor Richard Zimler
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quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Ler - Novembro

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Richard Zimler
«Só os maus livros têm nacionalidade»
No seu novo romance, Os Anagramas de Varsóvia, o escritor que nasceu em Nova Iorque mas vive em Portugal há mais de duas décadas, volta ao tema do Holocausto, tendo como pano de fundo a sua própria identidade.

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Inéditos de Fernando Pessoa

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Um artigo interessante, dedicado a Fernando Pessoa. Publicado na revista Ler e sugerido pela Drª Isabel Moreno. Aqui. Vale mesmo a pena!...

Filme do mês - Novembro

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O Delator, de Steven Soderbergh
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A crítica de cinema assinala a interpretação de Matt Damon como merecedora de um óscar. Não me atrevo a fazer considerações dessa natureza, mas apenas a deixar o meu ”olhar” sobre o filme. A personagem Mark Withacre, quadro superior de uma empresa de produtos alimentares, cresce e evolui aos olhos do espectador. Homem aparentemente honesto, preocupado em denunciar um crime empresarial, urdido por esquemas pouco escrupulosos sobre preços de mercado, Mark Withacre veste progressivamente a pele de um ambicioso incontrolável que a todos (incluindo o FBI!) engana, num jogo desconcertante de mentiras/verdades.
O filme oferece muito mais matéria que do que o simples rótulo de “típico thriller político-económico” quer anunciar. É uma amostragem do comportamento humano na figura de um homem que, numa clara ambição de poder e riqueza, vai revelando a identidade de um mitómano, em cuja mente verdade e mentira não se distinguem, em cuja mente ecoa uma voz que raras vezes é coincidente com a voz que os outros ouvem.
Contrariamente aos comentários correntes, aconselho O Delator. Aqueles que se interessam por psicologia, pela análise do comportamento humano, encontrarão, no desempenho de Matt Damon, um manancial de situações, de manifestações comportamentais que poderão ilustrar, por exemplo, os distúrbios próprios de um doente bipolar.
Ficamos à espera dos vossos comentários.
Auxília Ramos

Musicografias

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Dizem as gentes que "filho de peixe sabe nadar". Não sei se podemos extrapolar para "sobrinho de cantor sabe cantar", ou até "sobrinho de lutador sabe sonhar". Talvez a genética explique alguma coisa, mas, não sendo um cientista (no restritivo sentido experimentalista), acredito que a alma não se herda, nem é, sequer, estanque. Só assim, para mim, podemos pensar num sobrinho do Zeca Afonso, a cantar em Português, mas com alma Moçambicana. João Afonso saiu de Moçambique com 13 anos, em 1978, e consegue uma simbiose lindíssima da paisagem africana com a paisagem portuguesa. "Buganvília", o tema que proponho este mês, é de um álbum de 1997, chamado "Missangas". Lembro que quando me foi mostrado o achei muito bonito, porque na caixa do CD trazia espalhadas algumas missangas, que faziam um som a recordar o das maracas ao mexer. Talvez por causa destes dias de Verão de S. Martinho antecipados, este mês me tenha apetecido ouvir a buganvília "entre o acender da lua / e o encanto da manhã", e lembrar-me dos dias grandes do Verão.
Joaquim Silva
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quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

Às sextas, grátis, com o jornal "i"

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quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

Pessoa(s) - 12ºAno

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Pedimos aos alunos de 12º que analisassem a génese da heteronímia pessoana. Eis alguns resultados apresentados em turma (um vídeo e um texto):
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Ana Catarina Rodrigues, 12C

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Carta de Fernando Pessoa ao seu
Semi-heterónimo Bernardo Soares

Lisboa, 13 de Junho de 1930

Meu caro Bernardo Soares,

Finalmente chegou a oportunidade de poder falar contigo, agora que cheguei fatigado do escritório. Muito me apraz teres-te lembrado do meu aniversário, pois do teu dificilmente me recordaria, tão ocupado que estou com a minha pessoa, que uma não é (como de certo o sabes), mas quatro em simultâneo.
Não será ousado eu pensar, Bernardo, que hoje me visitaste de madrugada, quando estava abandonado às insónias? É que no silêncio do meu quarto pareceu-me adivinhar a tua figura sentada à minha secretária, iluminada pelo luar. Foi então que exclamei: “Ora viva! É o meu amigo Bernardo!”. Como não obtive resposta, convenci-me de que, para não variar, a minha imaginação me pregara uma partida. Ainda assim, fiquei com a sensação de que havias tentado comunicar comigo, e foi com satisfação que li a tua carta de parabéns. Bem sei, contudo, que o teu objectivo era o de compreenderes o porquê de teres sido excluído do meu círculo de heterónimos, não obstante o prefixo semi- que te concedi por compaixão.
Sendo hoje o meu quadragésimo segundo aniversário, que te parece que enquadre a génese dos meus heterónimos na história da minha vida? Estou certo de que concordas. Pois bem, nunca te apercebeste de algo omnipresente em ti, uma característica que fizesse parte das tuas raízes, e que em última análise condicionasse toda a tua personalidade? Não posso dizer que os meus primeiros anos foram miseráveis: a morte do meu pai abalou-me, como seria expectável, mas em compensação tive o amor da minha família, principalmente da minha mãe. Mesmo assim, o mundo extrínseco, ainda que agradável, sempre me pareceu insuficiente. Havia uma miríade de pessoas que poderia ter conhecido, diálogos que porventura teria trocado... E, olhando para o passado, reparo que a simplicidade da infância, que deveria contentar qualquer criança, constituía para mim um desperdício de sensações. E então, quase inconscientemente, passei a olhar a realidade por um certo prisma, prisma esse que elevava a vida simples de um menino a um mundo onírico, onde qualquer lacuna era preenchida com amigos imaginários.
Se me vires a atravessar o Chiado ou a trabalhar no meu escritório, consegues adivinhar o que se passa dentro da minha mente? Certamente que não. Uma pessoa nunca espera entrever um neurasténico (defino-me como tal, embora não saiba ao certo o que sou) num homem calado e de bons modos. O silêncio não significa necessariamente paz de espírito; pode estar a mascarar, inclusive, algo mais profundo. O que acontece é que, quando a oportunidade vem, o meu olhar volta-se para dentro. Olho para as coisas sem as ver, pois estou ocupado a assistir ao meu monólogo interior. E eis que, sozinho na plateia, vejo claramente três homens distintos a desfilarem pelo palco da minha mente. A ambiguidade desta situação acentua-se quando tomo consciência de que, neste instante, não sou uma, mas duas pessoas: o espectador e o actor. Respeitando as leis da cronologia, surge o Ricardo Reis, médico portuense, de estatura baixa e semblante sério, e que vive no Brasil desde 1919 por ser monárquico. Curiosamente, ele apareceu por acaso. Erro meu! Os meus «eus» nascem em mim com um propósito; eu é que, por vezes, não o desvendo à primeira. Depois de escrever uns poemas de cariz pagão, senti-me estranho. Não tinham muito a ver comigo, e ainda bem, pois assiná-los com o meu nome seria plágio. O Ricardo apareceu para expressar uma visão estoicista da vida, uma reflexão abstracta que conduzia à consciência da nossa efemeridade. Estás confuso com este jogo de máscaras, Bernardo? Uma coisa te digo: primeiro, estranha-se; depois, entranha-se. Agora irei falar do meu Mestre (meu, do Ricardo, e do Álvaro, o qual mencionarei a seguir). Uma conversa com o meu amigo Sá-Carneiro desencadeou uma série de acontecimentos que levaram à criação do pastor Alberto Caeiro. Duvido que exista pessoa mais ignorante que ele, e por isso mais feliz na sua ignorância. A sua atitude faz-me lembrar a de uma criança, pois ama o mundo que observa sem qualquer reserva. Por vezes me espanto, pois parece impossível que seja eu o autor da sua filosofia do não pensar. Não é contraditório? Ele morreu há mais de uma década, mas a sua figura ainda simboliza para mim o que eu nunca conseguirei ser. É por sermos tão opostos que ele é o meu Mestre. Como discípulo, tento seguir-lhe as passadas, ainda que saiba que nunca o vá alcançar. O outro heterónimo é o engenheiro naval Álvaro de Campos, meu gémeo nesta fase final da sua vida. O Álvaro representa, digamos, a faceta da minha personalidade que procuro esconder, o histerismo no seu expoente máximo. Todas as minhas emoções fortes (e algo vergonhosas, diga-se de passagem) são abafadas e, assim, canalizadas para um sítio aonde ninguém tem acesso excepto eu.
Tens de compreender, Bernardo, o que te diferencia destas três personalidades. Quando escrevo de modo espontâneo como Caeiro, intelectual como Reis, ou extravagante como Campos, o meu ser fluí pelas suas identidades livremente. Pintei o quadro das suas vidas, moldei os seus traços psicológicos e físicos, enfim, contornei nitidamente o que inicialmente eram formas indefinidas.
O que são estes três homens senão a expressão de posições opostas sobre a vida, a estética, e a literatura? Já te apercebeste, Bernardo, de que esta diversidade tão grande de mentalidades reflecte a minha multiplicidade interior? A vida, por vezes, é tão vazia de conteúdo e de pessoas que se torna necessário simular outras vidas para experienciar o que me passa ao lado. Ser complexo, Bernardo, permite-me ser todos, e, assim, nenhum. Os heterónimos representam o nada que é tudo. Sem eles, o vulgar e solitário Fernando Pessoa deixa-se subjugar pelo tédio.
É nestes devaneios e angústias existenciais que a fadiga incentiva que eu recorro a ti, Bernardo, um pobre ajudante de guarda-livros. És como uma muleta, um estado de quase inconsciência, um andar ausente pelas ruas de Lisboa. Careces de vida autónoma, meu caro amigo (não quero que te sintas diminuído por isto!).
Concluo a minha carta com um pensamento profundo, bem ao teu gosto. A Arte tem fim na própria Arte. A actividade literária dos meus heterónimos busca a beleza estética que só eles tornam possível.
Espero que te tenha esclarecido quanto à tua condição de semi-heterónimo.
Cumprimentos,
Fernando Pessoa.

PS – Obrigado pelo manuscrito que me emprestaste do teu “Livro do Desassossego”. Apreciei particularmente este fragmento, reflecte precisamente a angústia de me saber sempre só: «(…) De tanto pensar-me, sou já meus pensamentos mas não eu. Sondei-me e deixei cair a sonda; vivo a pensar se sou fundo ou não, sem outra sonda agora senão o olhar que me mostra, claro a negro no espelho do poço alto, meu próprio rosto que me contempla contemplá-lo.».
Filipa Alves Santos, 12B

terça-feira, 20 de Outubro de 2009

Escritaria - um testemunho

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Domingo à noite, o Museu Municipal de Penafiel (que eu não conhecia) encheu-se de centenas de pessoas para ouvir José Saramago e assistir ao lançamento “mundial” do seu último romance Caim. Assinalo com aspas «mundial» da mesma forma que Saramago, a propósito do evento, referiu, ironicamente, que não via, na sala, a presença de jornalistas do New Yorker

Penafiel foi, pois, palco de um acontecimento mundial, no seio de um acontecimento literário – Escritaria, 2º festival literário, um acontecimento que trará, indubitavelmente polémica, porque polémico foi o discurso de Saramago. Lembrei-me, ao ouvi-lo, das palavras de Pilar del Rio – "a grande literatura é sempre provocatória" – pois todas as referências do romancista a Caim revelam-nos uma nova incursão de Saramago no universo da(s) religião(ões), uma incursão claramente provocatória. O romancista referiu-se à Bíblia e, principalmente, ao Antigo Testamento como um “livro de maus costumes”, um livro em que a crueldade, a violência, a disputa são por demais evidentes nas várias narrativas que o integram. Acrescentou que “não inventa nada”, apenas “levanta pedras do caminho para que o leitor possa ver o que está por baixo delas”, lançando um apelo explícito a que cada um de nós possa, livremente, reflectir e analisar todo o mal que a religião (qualquer uma) fez à humanidade. Para Saramago, Caim “é um exercício de liberdade”, liberdade para o personagem e para ele próprio, enquanto escritor – “A liberdade do ser humano assim o exige.”



A encerrar o seu longo discurso, Saramago leu as páginas iniciais do romance como motivação para a leitura que, no seu dizer, irá certamente divertir o leitor, e prometeu um novo livro para 2010.



Quando o senhor, também conhecido como deus, se apercebeu de que a adão e eva, perfeitos em tudo o que apresentavam à vista, não lhes saía uma palavra da boca nem emitiam ao menos um simples som primário que fosse, teve de ficar irritado consigo mesmo, uma vez que não havia mais ninguém no jardim do éden a quem pudesse responsabilizar pela gravíssima falta, quando os outros animais, produtos, todos eles, tal como os dois humanos, do faça-se divino, uns por meio de mugidos e rugidos, outros por roncos, chilreios, assobios e cacarejos, desfrutavam já de voz própria. Num acesso de ira, surpreendente em quem tudo poderia ter solucionado com outro rápido fiat, correu para o casal e, um após outro, sem contemplações, sem meias-medidas, enfiou-lhes a língua pela garganta abaixo. Dos escritos em que, ao longo dos tempos, vieram sendo consignados um pouco ao acaso os acontecimentos destas remotas épocas, quer de possível certificação canónica futura ou fruto de imaginações apócrifas e irremediavelmente heréticas, não se aclara a dúvida sobre que língua terá sido aquela, se o músculo flexível e húmido que se mexe e remexe na cavidade bucal e às vezes fora dela, ou a fala, também chamada idioma, de que o senhor lamentavelmente se havia esquecido e que ignoramos qual fosse, uma vez que dela não ficou o menor vestígio, nem ao menos um coração gravado na casca de uma árvore com uma legenda sentimental, qualquer coisa no género amo-te, eva. Como uma coisa, em princípio, não deveria ir sem a outra, é provável que um outro objectivo do violento empurrão dado pelo senhor às mudas línguas dos seus rebentos fosse pô-las em contacto com os mais profundos interiores do ser corporal, as chamadas incomodidades do ser, para que, no porvir, já com algum conhecimento de causa, pudessem falar da sua escura e labiríntica confusão a cuja janela, a boca, já começavam elas a assomar. Tudo pode ser. Evidentemente, por um escrúpulo de bom artífice que só lhe ficava bem, além de compensar com a devida humildade a anterior negligência, o senhor quis comprovar que o seu erro havia sido corrigido, e assim perguntou a adão, Tu, como te chamas, e o homem respondeu, Sou adão, teu primogénito, senhor. Depois, o criador virou-se para a mulher, E tu, como te chamas tu, Sou eva, senhor, a primeira dama, respondeu ela desnecessariamente, uma vez que não havia outra. Deu-se o senhor por satisfeito, despediu-se com um paternal Até logo, e foi à sua vida. Então, pela primeira vez, adão disse para eva, Vamos para a cama

Indubitavelmente uma leitura polémica, mas certamente uma leitura que possibilitará a liberdade de cada leitor se posicionar criticamente sobre o seu conteúdo, qualquer que seja a sua crença religiosa.
Auxília Ramos
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E uma outra visão, sobre a polémica que estas afirmações causaram. Via José Rui Teixeira e Equinócio de Outono, fica o comentário de Tolentino Mendonça:
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José Tolentino Mendonça, director do Secretariado Nacional da Pastoral Cultura, manifestou à Agência Ecclesia a sua "desilusão" com a obra Caim, novo livro de José Saramago, que considera uma releitura "banal" do texto bíblico, longe das "páginas magistrais" de John Steinbeck em A Leste do Paraíso ou da interpretação do filósofo Paul Ricoeur da fraternidade como "decisão ética".
A obra ficou envolta em polémica quando o autor, a propósito da apresentação mundial do livro, afirmou que "a Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana".
"A perplexidade trazida pelas afirmações de José Saramago é, no fundo, como é que um grande criador, um grande cultor da língua, pode, em relação a um superclássico da literatura mundial – património de cultura diferentes, fonte de inspiração para tanta literatura – pode dizer da Bíblia, com o simplismo e o olhar com que o fez, as coisas que Saramago tem dito", atira o director do Secretariado Nacional da Pastoral Cultura.
Tolentino Mendonça lamenta que, em Caim, José Saramago escreva que a Bíblia é "o livro dos disparates". "É uma redução inaceitável, não só do ponto de vista da fé, mas do ponto de vista da cultura", defende. Saramago é um leitor que "revisita permanentemente a Bíblia", seja em citações, seja nas suas personagens, mas o resultado desse esforço na sua última obra é, para o sacerdote madeirense, "absolutamente uma desilusão".
"Esperar-se-ia muito mais da revisitação que um grande escritor pode fazer do texto bíblico", indica, considerando que o livro de Saramago é, "em grande medida, um texto banal". A Bíblia está aberta a várias leituras, crentes e não crentes, mas nem todas são válidas.
O exegeta e poeta manifesta "perplexidade" por Saramago não tomar em consideração a necessidade de uma "interpretação" do texto, tomando-o à letra, "no seu absurdo". "O que impressiona neste opção é ele recusar que aquele texto precisa de uma interpretação, de uma leitura simbólica", declara. José Tolentino Mendonça realça que a Bíblia "é um livro de fé, que é lido a partir dessa perspectiva por milhões de pessoas, e ao mesmo tempo um livro de literatura, um superclássico".
Nesse sentido, é necessária "uma compreensão da Bíblia enquanto texto literário para verdadeiramente chegar ao seu sentido", é preciso "ir à terra do poeta", como se referia no Vaticano II, perceber que há "um sentido segundo, terceiro, que não se pode ler de forma literal e unívoca, que os géneros literários são para respeitar".
O sacerdote considera ainda que as declarações de José Saramago sobre Deus e a Bíblia estão muito marcadas pela ideologia do escritor, mais do que por uma tentativa de "recriação profunda das temáticas abordadas nos textos bíblicos".

quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

Parabéns, Agustina!

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Agustina Bessa-Luís nasceu em Vila Meã, Amarante, em 1922. A família do seu pai era do Norte do país e a sua mãe era espanhola.

Viveu durante a infância e adolescência na região de Entre-Douro e Minho e depois em Coimbra até 1948. Casou em 1945 com Alberto de Oliveira Luís. A partir de 1948 fixou residência no Porto.

Começou a escrever aos 16 anos e em 1950 publicou o seu primeiro romance, “Mundo Fechado”. O reconhecimento chegaria em 1952, com a atribuição do Prémio Delfim de Guimarães ao livro “Sibila”, galardoado no ano seguinte com o Prémio Eça de Queiroz.
Estreou-se no teatro em 1958 com “O Inseparável”.

Foi membro do conselho directivo da Comunitá Europea degli Scrittori (Roma, 1961-1962). Entre 1986 e 1987 foi Directora do diário O Primeiro de Janeiro (Porto). Entre 1990 e 1993 assumiu a direcção do Teatro Nacional de D. Maria II (Lisboa) e foi membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social. É membro da Academie Européenne des Sciences, des Arts et des Lettres (Paris), da Academia Brasileira de Letras e da Academia das Ciências de Lisboa, tendo já sido distinguida com a Ordem de Sant'Iago da Espada (1980), a Medalha de Honra da Cidade do Porto (1988) e o grau de "Officier de l'Ordre des Arts et des Lettres", atribuído pelo governo francês (1989).

Várias obras suas foram traduzidas em diversos países e algumas foram adaptadas ao cinema por Manoel de Oliveira, como “Francisca”, “Vale Abraão” e “As Terras de Risco”. O seu romance “As Fúrias” foi adaptado ao teatro por Filipe La Féria.

Aos 81 anos, Agustina Bessa-Luís recebeu o Prémio Camões, considerado o mais importante prémio literário da língua portuguesa.

Escritaria e José Saramago em Penafiel

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quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

Prémio Nobel da Literatura 2009

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O Prémio Nobel da Literatura foi atribuído este ano à escritora alemã de origem romena Herta Müller, de 56 anos.

A Academia sueca sublinha que Herta Müller consegue, "com a densidade da sua poesia e a franqueza da sua prosa, retratar o universo dos desapossados".

Müller é autora de livros como “O homem é um grande faisão sobre a terra”, editado em Portugal pela Cotovia, e “A terra das ameixas verdes”, publicado a nível nacional pela Difel.

Nascida a 17 de Agosto de 1953, na aldeia de Nitzkydorf, perto de Timisoara, na Roménia. Estudou alemão e literatura romena na sua terra natal e trabalhou depois como tradutora numa fábrica de Timisoara, antes de ser demitida das suas funções em 1979 por se ter recusado a colaborar com a polícia política de Nicolae Ceaucescu.

Müller acabou por abandonar o seu país em 1987 para ir para a Alemanha com o marido, o também escritor Richard Wagner. Para trás deixou uma longa luta perdida pela publicação dos seus trabalhos frontalmente críticos ao regime totalitário de Ceausescu, que acabaria por ser derrubado dois anos depois de Müller sair da Roménia.

Em 1984 foi distinguida com o Prémio Aspekte e onze anos depois recebeu o prémio europeu de literatura Aristeion e foi eleita para a Academia Alemã para Língua e Poesia. Em 1998, recebeu o prémio irlandês IMPAC, no ano seguinte o Prémio Franz Kafka. Em 2003, foi galadoarda com o prémio Joseph Breitbach de literatura alemã, em 2004 com o prémio de literatura da Fundação Konrad Adenauer e, em 2006, com o Prémio Würth de literatura europeia.

A notícia da distinção com o Prémio Nobel da Literatura 2009 apanhou desprevenida a escritora alemã. “Estou surpreendida e ainda nem acredito, de momento não posso dizer mais nada”, disse Herta Müller num comunicado divulgado pela Hanser Verlag, a editora da romancista.

Público

domingo, 4 de Outubro de 2009

Anne Frank - as únicas imagens em vídeo


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A notícia é de hoje, no i on-line:

As únicas imagens em vídeo de Anne Frank foram colocadas no Youtube pelo museu holandês com o seu nome para chamar a atenção das novas gerações para a sua história e diário.Ao 9º segundo do vídeo é possível ver Anne Frank, que se inclina no parapeito de uma janela para ver uma noiva que passava na sua rua.O filme data de 22 de Julho de 1941, um ano antes da família de Anne Frank ser obrigada a esconder-se dos Nazis. A família foi descoberta em Maio de 1944 e Anne morreu num campo de concentração Nazi em Março de 1945.
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Livro(s) do mês - Outubro

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À espera da Feira do Livro, no Colégio, em Novembro...
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Ler - Outubro

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O prazer de ler...

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Imagem retirada de: www.olhares.com
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Seguem-se os textos que os alunos de 11ºAno produziram na primeira semana de aulas, a partir do excerto do romance de Sepúlveda, O vellho que lia romances de amor. O objectivo era tentarem evidenciar a surpresa, a emoção, a cumplicidade que a leitura de um livro nos desperta... São vários os testemunhos...
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Uma a uma, quando incrédula terminei a leitura das páginas desta obra, as luzes do livro extinguiram-se na distância e compreendi que já tinha começado a recordar, a esculpir uma recordação na minha memória, sabendo-me afortunada por ter saboreado os seus segredos. Observava aquela Barcelona abandonada, confusa, turbulenta, criminosa, como que obcecada por um amor que não era meu, não correspondido, em que a minha existência era feita de ausências, sem outro nome ou presença que não as de um estranho. Era apenas demasiado tarde para parar, desistir, sabia-o! Barcelona estendia-se nos sonhos de um escritor, num cemitério dos livros esquecidos, através de um labirinto de segredos e fascínios, de cumplicidades e traições. “Cidade dos malditos” foi como lhe ouvi chamar, onde as páginas são mais que memórias, mas simples suspiros, últimos, que se apagam. Foi também num último suspiro que percebi que tudo não passou de um jogo do anjo, de Zafón, tão perfeito, inigualável, “um céu azul cor da sorte e uma brisa limpa com cheiro a mar”.
Tatiana, 11º A
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Sinto-me inquieta. Ao pisar páginas tão delicadas, com palavras tão frágeis, sinto-me realmente inquieta. Como se transportada para um mundo paralelo, ou talvez com a alma mesmo a resvalar para esse mundo. Distante, ao sol, longe da penumbra, desinstalo-me intrinsecamente. Umas palavras ficam, outras desaparecem. As que ficam deixam marcas profundas, porque relembram, ou comparam, ou relativizam... Porque permanecem. E mudam-nos. A minha inquietude justifica-se aqui, com esta inconstância de sentidos que irrompem, ou simplesmente acontecem, que me aprisionam e me tomam como deles. Domam em definito o meu coração, tornando mágica a leitura das suas páginas. Processo divino, onde a luz permanece...
Sara Cardoso, 11ºD

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O papa começou a relatar uma história do seu tempo na guerra. A tentativa de atentado ao comboio falhara e eles tinham sido descobertos. Ao meu lado não havia agora senão uma floresta imersa no mais intenso véu de negrume e uma cabana onde estavam a ser atacados os “assassini”. Não conseguia descolar os olhos das páginas. As palavras corriam, sôfregas, atropelando-se na entrada para a minha mente. Em toda aquela explosão de acontecimentos quase que me perdia, mas a percepção de uma morte trouxe-me de volta. Só agora me tinha apercebido da chuva de “fogo” na qual me encontrava. Sob ataque, iniciei a fuga. Eu era, neste momento, o pequeno di Mona e fugia, meio atrapalhado no meio do escuro, com o meu chefe. Estava a ficar sem fôlego, e parecia que me tinha caído uma bigorna no coração – para trás ficavam os meus amigos, já sem vida. Corria e corria e, então, de repente… Olho à minha volta e vejo a mesa do quintal da minha avó, o limoeiro, a roseira. O meu irmão chamava-me, mesmo junto a mim. Tinha voltado à realidade.
José Nuno Silva, 11ºA

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É fácil ter livros, toda a gente os tem, também é fácil ler livros, toda a gente os lê, o que é difícil é viver o livro. É penetrar nas suas páginas, é fazer de cada palavra, de cada acento, de cada adjectivo o ambiente que nos rodeia. É desconstruir o que conhecemos, nem que seja por uns momentos, para aprender um novo século, para viver o que até aqui apenas tínhamos imaginado. É levar-nos a perder a identidade, é não sabermos ao certo quem é o protagonista e o leitor, é envolvermo-nos de tal forma que os carros passam a carruagens, as estradas ganham terra e poeira, as calças de ganga dão lugar aos vestidos compridos que combinam com os sapatos de salto alto, vermelhos ou pretos, bem brilhantes, que fazem um barulho elegante ao subir a escadaria do teatro, anunciando claramente a chegada de uma Raquel Cohen. É lermos os elogios e recebê-los como nossos, é apoderarmo-nos dos maridos, dos amantes, dos amigos, das profissões, das qualidades e dos defeitos. E tudo nos parece tão familiar, tão assustadoramente normal, que aumenta a ilusão. E mesmo quando a travessia parece difícil, é raro escapar sem uma comparação, sem um único desejo, a mínima inveja, (ou o que lhe quiserem chamar), de um dia ser também uma Maria Monforte, um Carlos da Maia ou um Ega. Um livro tem este efeito sobre nós, só é preciso encontrá-lo.
Teresa Stingl, 11ºA
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Mil e uma imagens me surgiam e mais não fazia do que ler uma e outra e ainda outra página daquele fascinante livro. Miguel Sousa Tavares, num conjunto perfeito de palavras, descreve ao pormenor cada paisagem, cada povo, cada cultura em todas as suas avassaladoras viagens. Tudo para mim era novo: os costumes e tradições, a população proveniente de cada lugar, a própria forma de viver. O entusiasmo de uma recente descoberta parecia resvalar em cada sorriso em mim despertado. Por momentos, confundia-me totalmente com um daqueles habitantes de raça negra, sempre com uma alegria tremenda, uma simplicidade estonteante de quem pesca e caça o seu próprio alimento, se entretém a observar a beleza singular de uma borboleta, ou que esquece o mundo e cerra os olhos à luminosidade, numa artesanal cama de rede. De todas as viagens, havia sempre as que mais me emocionavam, que me davam vontade de permanecer um pouco naquela tão díspar realidade, por vezes até em condições inóspitas, mas onde resplandecia um contentamento único e incomensurável de puramente estar vivo, quer sob um calor infernal característico de zonas desérticas, quer sob a chuva incessante e grossa que nos assombra nas zonas equatoriais.
Joana Nunes, 11A

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No Perfume de Patrick Süskind senti, inexplicavelmente, os cheiros que se libertam dos livros. Senti-me transportada de forma intensa para Paris medieval, onde os cheiros nauseabundos ganharam o poder de se entranhar fortemente nas minhas narinas. Diante de cada palavra, uma nova sensação: flores, peixe, fumo, esgotos, essências, frutos, brisas… De todas elas exalava um perfume único. Mesmo os sentimentos da personagem, que, apesar de incompreendida por todos, era compreendida por mim, como se partilhássemos um segredo, tornaram-se meus. Juntos, atingimos o clímax, com todos os sensores olfactivos em alerta máximo. Mas, também juntos, acabámos por alcançar a exaustão. O fim trágico do meu companheiro, levei-o comigo, com todo o seu poder… até à realidade.
Matilde Horta, 11ºE

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Conheci o medo e o amor nas suas formas originais e encontrei-me presa nos parágrafos que dão vida a esta história. À medida que relia e sondava os olhares profundos e indiscretos, era capaz de sentir o peso das decisões tomadas em defesa da vida, que repetidas vezes oscilava no auge do perigo. Deparei-me com a paixão escondida em almas que não se permitiam amar nem conhecer um sentido único. Ansiei que se juntassem e me escrevessem uma nova história que me voltasse a aprisionar nas páginas do seu amor. Voei e morri com personagens enigmáticas que imaginei reais e que me deixaram saudade quando virei a última página.
Ana Luísa e Ana Rita, 11º D/E
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(Trabalhos enviados por Auxília Ramos)
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sábado, 3 de Outubro de 2009

Fernando Pessoa (ante)visto pelos alunos

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Conheço-o em bronze, de perna cruzada em pleno Chiado. Aí, as suas vestes negras, já oxidadas pelos pensamentos que o envolvem, destacam-no do comum mortal. De chapéu Borsalino, óculos redondos e bigode curto, exalta toda uma aura de emblemático lírico camoniano, maltratado pela própria vida que expõe.
Figurando como um true gentleman do virar de século, o autor induz a uma introspecção meticulosa (“Deus quer, o Homem sonha, a obra nasce”). Nesse seu jeito de Charlie Chaplin lúgubre, sei-o também pelos olhos de Almada Negreiros, na pele de porta-estandarte da Geração d’Orpheu, frontispício do Modernismo Português.
Interciso em várias personalidades, cada uma tão complexamente romântica e alienada como as restantes, reconheço o poeta, o génio introvertido, o anglómano autor de ridículas cartas de amor e, acima de tudo, o sombrio mestre da transfiguração.
Mas afinal, quem é Fernando Pessoa?
Personne. Um fingidor, não obstante.
Gonçalo Tiago, 12ºB
(Enviado por Isabel Moreira)
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Sobre o fabuloso mundo de Fernando, tudo ou nada se pode dizer. Como foi possível existir tão prodigiosa imaginação e tão soberba criatividade num ressequido empregado de escritório?
A imagem dum sujeitinho atarracado e nervoso para que o ponteiro atinja a hora de saída do trabalho é a primeira coisa de que me lembro, quando penso em Fernando Pessoa. Talvez fossem essas as horas em que se tornava num tantológico Alberto Caeiro, antes de abrir a correspondência e de se transfigurar num ácido e geometricamente educado Ricardo Reis que, enquanto fumava um velho cachimbo, contava os envelopes.
Todos nós temos um feitio especial para as horas más; no entanto, Pessoa inclina o seu humor difícil para um engenheiro torrencial que respira Ópio e que ferve vaporosas complexidades por cada orifício.
A meu ver, todo o seu fabuloso mundo é ridículo – ou até insólito – e talvez seja isso que faz dele um objecto tão interessante e digno de destaque numa literatura tão preenchida.
Nuno Pereira, 12ºB
(Enviado por Isabel Moreira)
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Ao reflectir um pouco sobre a "figura desfigurada" de Fernando Pessoa, percebemos um começo inacabado, um olhar desvanecido por entre uma atitude observadora, crítica e, acima de tudo, genial.
Talvez pela capacidade de criar mundos dentro do seu próprio mundo me fascine. Uma personalidade desmembrada em Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis que só assim se torna una. É sem dúvida admirável. Desdobra-se nas capacidades, nos sentimentos, no carisma, na atitude, na razão que, de maneira nenhuma, consegue conciliar. De certo modo, existem pessoas dentro de Pessoa que renascem e se alimentam a cada poema…
Pessoa vê-se com Mil Caras, Mil facetas “não s[endo] do tamanho da [sua] altura (…)” mas sim “(…) do tamanho daquilo que v[ia]”.
Raquel Oliveira, 12ºC
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Fernando Pessoa é, no fundo, a criança que nos dias de hoje, passaria horas a receber conselhos e a ouvir alguém à procura da sua verdadeira essência, quando, na verdade, ninguém o perceberia verdadeiramente. Nem ele próprio.
Na sua curta vida, ninguém achou nele o génio criativo que viria a surpreender-nos após a sua partida. E ainda agora não o compreendem.
Esta incompreensão, esta profundidade e esta loucura com que finge, imagina, inventa o seu verdadeiro “eu” é o que fascina e que nunca lhe saciou a sua fome da diferença.
Num mundo dito hoje tão “aberto”, mas onde as diferenças (já nem falando nas desigualdades) estão tão esbatidas e são tão mal encaradas, debrucemo-nos sobre uma escrita que nos alucine e num “demónio” que nos rompa do comum.
Se um poeta é, como o próprio diz, “um fingidor”, Pessoa é, então, o melhor poeta de todos os tempos.
Maria Gaspar, 12DE
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Enigmática personagem, Pessoa tornou-se para mim um mistério, construído através da pressão escolar e televisiva. É aliás sempre retratado como um escritor caracterizado pelo poder que tinha em desfragmentar o seu ser em vários heterónimos, associados a peculiares e arrojados modos de se apresentarem, tão metodicamente preparados por Pessoa - genial disfunção para encarnar várias personagens...
Por fim, diria que este escritor, Fernando Pessoa, dedicou a sua vida à cultura, à reflexão exploração do seu próprio ser, apurando os sentidos humanos e direccionando-os para a sua verdadeira paixão, “ A minha pátria é a língua portuguesa”.
Luís Ramos, 12ºC
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Fernando Pessoa, escritor de renome, pertence ao círculo de figurinos da literatura Portuguesa. Assim, o conhecimento que detenho dele provém das expectativas que os professores me incutiram.
Para mim, Pessoa é a personificação do conceito de Poeta enquanto observador quer do mundo exterior, quer do interior, infinitamente complexo. Fazendo jus ao apelido, desdobra-se em três personalidades, primando pela infatigável reflexão sobre a dor de pensar e a natureza do ser. Marcado pela solidão e pelo vício, compreendo o ter criado mundos exclusivos, convertendo-se num auto-proclamado fingidor.
Alguns estranham a sua figura, escarnecem do reconhecimento póstumo. Contudo, num Portugal desprestigiado, torna-se imperativo evocar os «eus» Pessoanos e, quais peças num puzzle, deslindar o talento que excedeu os limites do imaginável.
Filipa Alves Santos, 12ºB
(Enviado por Isabel Moreira)

Musicografias VI

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Desta vez não saímos de Portugal, mas recuamos no tempo, para a transição entre o século XVI e o século VII. Sugiro uma música de Duarte Lobo composta sobre o texto litúrgico do Requiem, especificamente a parte do Introitus, aqui interpretada pelo grupo inglês "Tallis Schollars", grupo que já tive o prazer de ouvir em concerto duas vezes.
A informação biográfica sobre Duarte Lobo, que assinava "Eduardus Lupus", é escassa. Acredita-se que terá nascido em Alcáçovas, Diocese de Évora, onde anos mais tarde foi Mestre Capela da sua Catedral. Sabe-se que foi também mestre capela em Lisboa. A sua música enquadra-se naquela a que os musicólogos chamam a "Época Dourada" da polifonia portuguesa. Escreve essencialmente em estilo contrapontístico renascentista, um estilo melodioso e profundamente respeitador da importância do texto latino, segundo o "modelo" de G.P. da Palestrina, autor de referência da época.
Já a música fala por si. Para ouvir de olhos fechados.

Joaquim Silva
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segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

26 de Setembro - Dia Europeu das Línguas

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“Falar com outras pessoas na sua própria língua ajuda a ultrapassar barreiras linguísticas e culturais”, afirmou a coordenadora do Conselho da Europa para o Diálogo Intercultural, Gabriella Battaini-Dragoni, por ocasião da 9.ª edição do Dia Europeu das Línguas. “Aprender línguas estimula a nossa sensibilidade para culturas diferentes, podendo contribuir para nos distanciarmos e olharmos a nossa própria cultura de uma outra perspectiva.”
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Battaini-Dragoni lembrou que o Livro Branco do Conselho da Europa para o Diálogo Intercultural ‘Viver juntos – iguais em dignidade’ sublinha a importância da aprendizagem de línguas como um meio de desenvolver a curiosidade e a abertura ao Outro, evitando os estereótipos e descobrindo como pode ser enriquecedora a interacção com os outros. A compreensão intercultural é a base para um diálogo profícuo.
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O Dia Europeu das Línguas foi instituído pelo Conselho da Europa em 2001, Ano Europeu das Línguas, para celebrar a diversidade linguística e cultural.
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O Colégio Luso-Francês, através do Departamento de Línguas, associa-se a esta efeméride, assinalando-a com várias actividades, nos diferentes ciclos de ensino. Todos estão convidados a participar nos eventos de celebração deste ano, a mobilizar as suas competências linguísticas e a ouvir /falar / ler com prazer as diferentes línguas utilizadas em seu redor. Durante toda a semana, poderão encontrar outras línguas e culturas mesmo ao virar da esquina…
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Informações e iniciativas acerca do Dia Europeu das Línguas disponíveis em:
www.coe.int/EDL

"Diáspora", de José Rui Teixeira


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Na última sexta (25 de Novembro), o poeta, amigo e colega José Rui Teixeira apresentou Diáspora, testemunho de uma década de poesia. Não pude estar presente num momento que considero decisivo para a sua poética, uma vez que marca um separador temporal importante, fixando, no fundo, a legitimidade da sua periodização e a sua afirmação enquanto "poesia pós-moderna" (não que as classificações hermenêuticas tenham muita importância...). Sei que o Zé Rui contou com a presença dos amigos mais cúmplices e de todos os que caminham com ele, sei que foi um instante único de cumplicidade e de partilha. E, embora não estivesse lá, sei que a noite tocou o inefável no seu manto intimista de carinho e de amizade profundos.
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Deixo as palavras da Drª Auxília Ramos, que teve o privilégio de estar presente:
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Sexta-feira, à noite, a capela de Fradelos, no Porto, voltou a ser “abrigo” para um grande número de amigos que se reuniram em volta do trabalho poético de José Rui Teixeira. A apresentação da sua mais recente publicação “Diáspora” esteve a cargo de Fernando de Castro Branco que, engenhosamente, urdiu um discurso em torno da vida e morte, de lugares, de caminhos, de imagens e metáforas, da sobreposição de memórias, de incursões bíblicas, de terra, água, ar e fogo, de jardins com magnólias, da figura materna, de tessituras verbais que resistem à tentação da ausência de luz, do vazio semântico...
Para mim, bastava-me “um coração cheio de milagres”…
“Diáspora” reúne, de forma depurada, o trabalho poético de uma década, mas inova com “Ataúde”, um inédito trabalhado entre 2008-2009 – “ Fala-me secretamente das magnólias, do modo/como caem as pétalas sobre a terra nos últimos dias”…
Uma década, assinalou José Rui, acrescentando que a História se faz por décadas. Uma década desde a primeira publicação do seu trabalho poético. Não sei se a noite de sexta, na capela de Fradelos, foi um acontecimento histórico, mas foi, certamente, um momento especial para muitos. Ao ouvir a palavra “década” na boca do Zé Rui, recuei vertiginosamente no tempo e revisitei vários momentos passados: a biblioteca do CLF no dia em que homenageamos o poeta/colega pela publicação de “Vestígios” (a primeira), a primeira apresentação pública em Fradelos, “um lugar que habitamos juntos”, talvez não tão povoado como sexta-feira, mas, seguramente, tão ou mais cúmplice de um amigo, de um poeta, de um peregrino que assume que “partimos sempre mais do que chegamos.", a inclusão em manuais escolares de alguns dos seus poemas, a “encomenda” de um inédito para ilustrar, poeticamente, os pensamentos de Maria Bárbara, a princesa de “Memorial do Convento”…
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“Nasceste numa manhã como se fosse um lugar branco
e as mãos entranharam-se em ti para te dar à luz.
mas não te deram asas no dia em que nasceste.
nem te deram luz. Deram-te uma ferida e um coração
de carne e tiveste que aprender a ver através das
superfícies. (…)”
(inédito, 16 de Dezembro de 2004)

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Foi um serão de memórias. De gratidão. Um serão em que, uma vez mais, a poesia do José Rui nos desinstalou, nos fez protagonistas de uma diáspora, nos convidou a partir em busca dessa “essencialidade”, apenas pressentida nas páginas dos seus livros: Vestígios, Quando o verão acabar, Para morrer, Melopeia, O fogo e outros utensílios da luz, Assim na terra, Oráculo e Zerbino.
"Começa o tempo onde se une a vida/ à nossa gratidão." - Herberto Hélder
Auxília Ramos

quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

O regresso de Sena

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Jorge de Sena regressou finalmente a Portugal, no dia 11 de Setembro.
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PintARTE - entre a palavra e a arte

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Ontem recebemos no Colégio o Professor e Pintor contemporâneo Carlos Carreiro, um dos fundadores do grupo Puzzle. É sem dúvida um dos mais notáveis e reconhecidos pintores da sua geração, destacando-se a sua obra por uma certa rebeldia inconformada e por uma criatividade prodigiosa. As suas pinturas estão povoadas de seres oníricos, num cenário de contornos surreais que ultrapassam os limites da imaginação e da genialidade.
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A propósito do estudo da poesia de Fernando Pessoa e do Modernismo, os alunos de 12ºAno assistiram a uma palestra entusiasmada sobre a arte e sobre os -ismos de vanguarda. Com o auditório repleto, o Professor Carlos Carreiro iniciou uma viagem que atravessaria vários séculos (e até milénios), desde as gravuras rupestres ao Renascimento, do Barroco ao Impressionismo e terminando no Modernismo e nas suas diferentes manifestações. A sua análise desvelou pormenores que passariam despercebidos a qualquer leigo e mostrou aos alunos a matriz do Modernismo, curiosamente latente em algumas correntes ainda anteriores ao início do século XX.
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Foi uma tarde de (re)descoberta da pintura e da sua irrefutável ligação à literatura e, em concreto, à poesia. Sem dúvida, uma experiência única de intermedialidade, de combinação entre imagem e palavra, entre pintura e poesia.
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Deixo dois links para quem quiser aprofundar os conhecimentos sobre a pintura de Carlos Carreiro:
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quinta-feira, 17 de Setembro de 2009

Clássicos da literatura

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segunda-feira, 7 de Setembro de 2009

Musicografias

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Quando era pequenino, a minha família não tinha o hábito de fazer férias fora de casa. Tinha (quase) três meses de férias passadas maioritariamente na praia, com um ou outro fim de semana a ir conhecer o país. Lembro-me bem do fascínio que sentia ao regressar a casa, pela ponte D. Luís I (depois de descer a Avenida da República cheia de árvores frondosas) e sentir "finalmente estou em casa". Só muito mais tarde conheci bem este "velho casario", calcorreando a pé as "vielas e calçadas" nos tempos de caloiro. Mais tarde ainda conheci a vista da Serra do Pilar, aonde ainda vou de vez em quando matar saudades.Escolhi esta música por ser uma música de saudades: saudades das férias, saudades de casa, saudades de um tempo... Mas é inextricavelmente uma música de alegria, de formigueiro: da alegria do regresso, do entrar no porto, entrar em casa...O Carlos Tê usa as palavras como eu não conseguiria. Deixo-vos com o vídeo do Rui Veloso a cantá-lo, no concerto comemorativo dos seus vinte anos de carreira.

Bom regresso!

Joaquim Silva

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terça-feira, 1 de Setembro de 2009

Livro(s) do mês - Setembro

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quarta-feira, 26 de Agosto de 2009

Eduardo Prado Coelho - 2 anos

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Eduardo Prado Coelho nasceu em Lisboa, a 29 de Março de 1944, e faleceu na mesma cidade a 25 de Agosto de 2007.
Licenciou-se em Filologia Românica, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e doutorou-se em 1983, na mesma Universidade.
Em 1984, passou para a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Em 1988, foi para Paris ensinar no Departamento de Estudos Ibéricos da Sorbonne - Paris 3.
Entre 1989 e 1998 foi conselheiro-cultural na Embaixada de Portugal em Paris e, em 1997, director do Instituto Camões, nesta cidade.
Colaborou sempre em jornais e revistas, nomeadamente no suplemento literário do Público, Mil Folhas, que saía ao sábado, escrevendo também uma crónica diária, mais pessoal, no mesmo jornal.
Autor de uma ampla bibliografia universitária e ensaística, onde se destacam um longo estudo de teoria literária, "Os Universos da Crítica", vários livros de ensaios "O Reino Flutuante", "A Palavra sobre a Palavra", "A Letra Litoral", "A Mecânica dos Fluídos", "A Noite do Mundo", ganha o Grande Prémio de Literatura Autobiográfica da Associação Portuguesa de Escritores, em 1996, com o diário, em dois volumes, "Tudo o Que Não Escrevi". Em 2004, foi-lhe também atribuído o Grande Prémio de Crónica João Carreira Bom. "Nacional e Transmissível" foi o último livro que publicou.

Ler - Setembro

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"A maior flor do mundo", de Saramago

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Segue-se o link para a curta metragem A Maior Flor do Mundo, baseada na obra homónima para crianças escrita por José Saramago e narrada apelo autor. Trata-se de um filme que ganhou um prémio no festival de cinema ecológico de Tenerife. Para os nossos meninos e meninas.
http://flocos.tv/curta/a-flor-mais-grande-do-mundo/
Auxília Ramos

sábado, 22 de Agosto de 2009

Ilhas de bruma

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S.Miguel ergue-se na bruma, adormecido sobre as águas do Atlântico. Sinto sempre o mesmo deslumbramento quando sobrevoo a ilha encoberta e vislumbro a costa que se precipita no mar, depois de percorrer uma manta imensa de retalhos verdejantes. Ignorados por tanta gente, os Açores são caravelas perdidas que se transformaram em ilhas místicas pintadas de verde e semeadas no imenso oceano azul .
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Desço do avião e um bafo intenso, uma humidade impiedosa, invade-me e consome-me a pele e as entranhas... Percorrer toda a ilha é atravessar séculos de povoamento e sentir um silêncio avassalador e ancestral. O litoral acidentado derrama-se pelo mar, invadindo o infinito em abruptos rendilhados. Cachalotes brancos esfarelam-se pelos céus e repousam nos picos. As lagoas mágicas guardam enigmas indecifráveis e a terra transpira vapores fortes e inóspitos.
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A natureza brota em todo o seu esplendor nas nascentes férreas, nas poças transparentes, nos campos fecundos, na vegetação pletórica e luxuriante. O verde sufocante apodera-se dos trilhos limpos e acertados e das manadas lentas que pastam dolentemente pelas encostas.
Já subi vezes sem conta à lagoa do fogo; de cada vez o mesmo êxtase e o mesmo arrepio de descobrimento. O tempo pára e paira sobre este gigante intocado que parece ter derramado lágrimas inconsoláveis no seu regaço solitário.
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O Nordeste é uma peregrinação obrigatória; pelo silêncio e pela calma que desce dos céus e emana da terra fértil. É o santuário do priolo, um pássaro em vias de extinção que fez da Tronqueira o seu derradeiro lar.
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Nas Furnas, ouço a respiração da terra, expelindo furiosamente enxofre do seu ventre. Dos miradouros vislumbra-se o vale salpicado de casas modestas, esquecidas no longe, alvejando na distância. Sigo para a lagoa. A Igreja de José do Canto é o guardião sombrio das margens. Melancólicos chalets contemplam as águas cristalizadas que mimetizam os céus. É uma moldura onírica, como se pertencesse ao tempo dos gnomos, das fadas e dos duendes...
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Filas de hortênsias limitam as fronteiras dos campos retalhados, são soldados floridos que guardam as portas do paraíso. O exército alinha-se: as gigantes criptomérias, as perfumadas conteiras e os informes fetos pontilham os caminhos rurais.
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No regresso pelo litoral, as casas roubadas aos penhascos rochosos, em equilíbrio sobre o mar. O lastro da pobreza acentua-se no falar carregado e acentuado das gentes do mar. Famílias inteiras na soleira da porta, vendo o dia passear na rua; as barbearias carregadas de calendários e troféus desportivos, as tascas, as lojas, com o álcool e a imagem do Senhor Santo Cristo lado a lado, as mercearias esquecidas, os putos nas bicicletas, vociferando brutamente, os cavalos das arribas cultivadas clandestinamente, os burros abandonados a pastar o crepúsculo... Esta gente dura, disforme, bruta e feia... Esta gente genuína que enfrenta o mar e a ausência, a morte e a pobreza...
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E lembro-me por fim que foi essa gente dura, disforme, bruta e feia; essa gente genuína, que a literatura açoriana tão bem reproduziu nas obras de Vitorino Nemésio ou de João de Melo. Lembro-me que é esta paisagem que inspira o erotismo e a força de Natália Correia. Lembro-me que é esta melancolia que perpassa a poesia de Antero de Quental. E tantas outras vozes ecoam esquecidas por este arquipélago abençoado pela mão de Deus...
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Todas as imagens foram retiradas de www.olhares.com

domingo, 16 de Agosto de 2009

Livro(s) do mês - Agosto (cont.)

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sábado, 15 de Agosto de 2009

i - Os livros que os "famosos" levam na mala...

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LÍDIA JORGE Está a ler Love De Toni Morrison
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"É uma história poderosa sobre a vida de várias mulheres em torno de um homem. Apresenta muito bem o mundo das mulheres negras dos EUA, com os seus problemas de ascensão. Tem um fundo de humanidade muito profundo." Para além deste aconselha outros três "que tem em cima da secretária": Golpe de Misericórdia, de Marguerite Yourcenar, Nada, de Carmen Laforet, e O Amante, de Marguerite Duras.
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INÊS CASTEL-BRANCO Está a ler Criadores De Paul Johnson
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Criadores é uma compilação de várias biografias de artistas, como Picasso, Verdi ou Shakespeare, e estou a gostar muito.” Para as férias, a actriz aconselha Sputnik, Meu Amor, de Haruki Murakami: “Foi o livro que li antes deste. Gostei muito, é uma história de amor não correspondido, com um desaparecimento pelo meio, e passa-se na Grécia. É engraçado ver a visão que um japonês tem da Europa.”
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MÁRIO CRESPO Está a ler O Homem de Sampetersburgo De Ken Follett
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Estas férias já deram para o jornalista ler dois livros: Diário de Um Mau Ano, de Coetzee, e Waiting for the Barbarians, do mesmo autor. “Recomendo o Diário de um Mau Ano, porque é um livro belíssimo. Tornou-se um dos livros da minha vida. É daqueles livros que, mesmo quando fazia uma pausa, estava sempre a pensar nele e desejoso de voltar à leitura. O final é absolutamente sublime.”
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JÚLIA PINHEIRO Está a ler Afastado De Sadie Jones
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A apresentadora lê vários livros por semana e ao mesmo tempo. Na semana passada leu Leite Derramado, de Chico Buarque, o policial A Semelhança, de Tana French, e O Regresso, de Bernhard Schlink, que recomenda: “É um livro extraordinário, que traz as questões relacionadas com a guerra e o pós-guerra, a culpa alemã que leva pessoas a perderem-se de outras, o ter de lidar com aquele legado fortíssimo.”
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CINHA JARDIM Está a ler Enquanto Salazar Dormia De Domingos Amaral
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Cinha tem sempre um livro à mão. Para além deste, que “é um livro belíssimo, aconselho a toda a gente, é fantástico”, já tem na mala de viagem Buyology – A Ciência do Neuromarketing, de Martin Lindstrom. “Já dei uma vista de olhos e é um livro muito actual, muito prático. Denuncia as estatísticas, diz que elas mentem e explica o que é que nos leva a comprar: que no fundo é o cérebro.”
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TERESA CAEIRO Está a ler Diário de Um Ano Mau De J. M. Coetzee
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A deputada do CDS/PP gosta de ler vários livros ao mesmo tempo. Para além de Coetzee, está a ler My Name is Red de Orhan Pamuk. “É um mistério que gira em torno da morte de uma pessoa. É magnífico e emocionante. É um livro de ficção muito cativante. Ele descreve Istambul de uma forma soberba e como estive lá há pouco tempo estou a gostar muito de ler as descrições. Recomendo vivamente.”
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MÁRIO LAGINHA Está a ler Leite Derramado De Chico Buarque
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Este não é o primeiro livro que o pianista lê do músico brasileiro: “Já tinha lido o Budapeste e gostei muito. Acho que ele é um genial escritor de letras de canções, mas não só.” Para as férias recomenda policiais de duas escritoras: Patricia Highsmith e Agatha Crhistie. “Os amigos com quem estou de férias trouxeram policiais para ler e fiquei a pensar que também devia ter trazido. Divirto-me sempre com o suspense.”
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JOAQUIM LETRIA Está a ler Murder of Quality De John Le Carré
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Joaquim Letria não está de férias, mas nem por isso deixa de ler: “Estou a reler dois livrinhos do John Le Carré que me dão o prazer único de reencontrar quem escreve maravilhosamente. São eles: The Looking Glass War e, muito especialmente, o Murder of Quality. Recomendo-lhes! Além do mais, dão-me a sensação de estar de férias e refrescam o meu inglês que, graças a Deus, nada tem de técnico!”
in jornal i

quarta-feira, 12 de Agosto de 2009

Livro(s) do mês

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Deixo uma sugestão de leitura para quem gosta de narrativas curtas e fantásticas: "O Visconde cortado ao meio" de Italo Calvino. Li o livro no último fim-de-semana, muito rapidamente, não só porque o "roubei" das mãos de um amigo, mas também pelo misterioso enredo que logo me "apanhou".Mais do que uma narrativa de ficção, utilizando uma linguagem simples e inocente, por vezes muito próxima da dos tradicionais contos de fadas, "O Visconde cortado ao meio" é uma espécie de alegoria sobre a natureza humana. O protagonista do romance, Visconde Medardo de Terralba, atingido num campo de batalha por uma bala de canhão que o corta verticalmente a meio, representa a dualidade da natureza humana: as suas duas metades, a "boa" e a "má" sobrevivem independentes uma da outra e regressam, cada uma a seu tempo, à sua terra natal. O regresso das duas metades do Visconde dá origem a uma série de acontecimentos e peripécias que ultrapassam o limiar da realidade e envolvem outras personagens que se vêem divididas entre "a malvadez e a virtude igualmente desumanas" (palavras do narrador).O desenlace desta narrativa histórica, fantástica, ingénua e, subtilmente, filosófica fica para quem se aventurar na leitura de "O Visconde cortado ao meio".
Auxília Ramos

domingo, 9 de Agosto de 2009

O primeiro voo foi há 300 anos

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A 8 de Agosto de 1709, o primeiro balão de ar quente subiu até ao tecto da Casa de Índia, no Paço da Ribeira, em Lisboa. O feito marca o ano zero da aeronáutica. Foi há 300 anos.

Padre Bartolomeu Gusmão, luso-brasileiro, decidiu oferecer o invento a D.João V. Numa petição apresentada quatro meses antes, descrevera a sua mítica "Passarola" como um salto para os transportes, útil ao comércio e para novos descobrimentos.

Em Portugal, Gusmão ficou à época conhecido como "burlão e feiticeiro", diz Joaquim Fernandes, autor do livro Os Grandes Portugueses Esquecidos e que vai agora publicar uma biografia inédita do primeiro homem a pensar no céu como um caminho.

"Portugal, o país escolhido para tão heterodoxo desafio ao impossível, não soube valorizar a ousadia, desprezando-a e cedendo a outros europeus - os irmãos Montgolfier, mais de sete décadas depois, a primazia no voo humano", lê-se num excerto da obra.
in jornal i

terça-feira, 4 de Agosto de 2009

Musicografias

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Desde sempre, para mim, o Verão, mais do que um tempo de festas e andanças, sempre foi um tempo de paragem. De dias grandes, de noites maiores, incrivelmente maiores, quase intermináveis de serenidade. A música que proponho, "A Lua Partida ao Meio", cantada pela Maria João, foi editada num álbum de 2000, chamado "Chorinho Feliz" e deixa-me deitado num relvado fresco, a olhar para o céu. Naqueles dias em que a Lua está tão próxima que queremos mesmo ficar "sentado nela, espiando a terra". Sinto que perdemos esta capacidade quase pueril de olhar para a Lua, olhar para o Céu, por andarmos tão cabisbaixos. Hoje vou avisar os homens altos para terem cuidado...Boas Férias!
Joaquim Silva

Maria João & Mário Laginha - Lua Partida ao Meio

sábado, 1 de Agosto de 2009

Livro(s) do mês - Agosto

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Há muito tempo que não "devorava" um livro assim...
Toda a história se desenvolve em torno de um misterioso e raríssimo livro hebraico, um códice do século XV, salvo da Inquisição, que surge cinco séculos depois, em Sarajevo, em plena guerra.
Geraldine Brooks, correspondente do Wall Street Journal na Bósnia e no Médio Oriente, recebeu por esta obra um Prémio Pulitzer. A autora constrói um intricado novelo que percorre os cinco séculos e caminhos distantes, desde a Espanha de 1492, a Veneza de 1609, Viena de 1894, Sidney, Boston, Londres e Sarajevo de 1996. Uma narrativa de tirar o fôlego e o sono... Entre estas datas e estes lugares tão díspares, um livro e uma conservadora, Hanna. Um fragmento de uma asa de insecto, manchas de vinho, pedras de sal, um cabelo branco - são estes os elementos que conduzirão Hanna até aos mistérios ancestrais que envolvem o livro e que revelarão as histórias dramáticas daqueles que lutaram para o salvar.
Baseado em factos verídicos, é uma viagem pela história da Europa e pelas suas feridas seculares: a Inquisição e as duas Grandes Guerras, o Nazismo, o anti-semistismo, o conflito na ex-Jugoslávia.

terça-feira, 21 de Julho de 2009

Chegada à lua - foi há 40 anos

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Os passos de uns...
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As palavras de outros...
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Há quarenta anos ainda não tinha aparelho de televisão em casa. Só o comprei, pequeníssimo, cinco anos depois, em 1974, para seguir as notícias dessa outra espécie de descida na Lua que foi para nós a revolução de Abril. Recorri portanto a amigos mais adiantados em tecnologias de ponta, e assim, bebendo talvez uma cerveja e mastigando uns frutos secos, assisti à alunagem e ao desembarque. Por essas alturas andava eu escrevendo umas crónicas no recém-recuperado jornal da tarde “A Capital”, tempo depois reunidas num livro com o título de “Deste mundo e do outro”. Dois desses textos dediquei-os a comentar a proeza dos norte-americanos num tom nem ditirâmbico nem céptico como não tardaria muito a tornar-se moda. Reli-os agora para chegar à desconsolada conclusão de que afinal nenhum grande passo para a humanidade foi dado e que o nosso futuro não está nas estrelas, mas sempre e somente na terra em que assentamos os pés. Como já dizia na primeira dessas crónicas: “Não percamos nós a terra, que ainda será a única maneira de não perdermos a lua”. Na segunda crónica, a que chamei “Um salto no tempo”, imaginando a terra futura como a lua é agora, comecei por escrever que “Tudo aquilo me aparecera como um simples episódio de filme de ficção científica tecnicamente primário. Os próprios movimentos dos astronautas tinham flagrante semelhança com os gestos das marionetas, como se braços e pernas fossem puxados por invisíveis fios, uns fios longuíssimos presos aos dedos dos técnicos de Houston e que, através do espaço, moviam lá em cima os gestos necessários. Tudo estava cronometrado até o perigo se incluía no esquema. Na maior aventura da história não houve lugar para a aventura”.
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E foi aí que a imaginação me apanhou em cheio. Decidiu ela que a viagem à lua não havia sido um salto no espaço, mas um salto no tempo. Segundo ela, os astronautas, lançados no seu voo, haviam caminhado ao longo de uma linha temporal e pousado outra vez na terra, não esta que conhecemos, branca, verde, morena e azul, mas na terra futura, um terra que ocupará ainda a mesma órbita, circulando à volta de um sol apagado, morta ela também, deserta de homens, de aves, de flores, sem um riso, sem uma palavra de amor. Um planeta inútil, com uma história antiga e sem ninguém para a contar. A terra morrerá, será o que a lua é hoje, dizia eu para terminar. Ao menos que não seja para todo o sempre o estendal de misérias, guerras, fome e torturas que veio sendo até agora. Para que não comecemos a dizer, já hoje, que o homem, afinal, não mereceu a pena.
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O leitor concordará que, para o bem e para o mal, não pareço ter mudado muito de ideias em quarenta anos. Sinceramente, não sei se me deverei felicitar ou corrigir.
José Saramago; in Caderno de Saramago
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Os livros visionários...
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Júlio Verne e Da terra à lua
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H.G. Wells e Os primeiros homens na lua
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Uma Antologia Comemorativa
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E a música clássica...
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segunda-feira, 20 de Julho de 2009

União Ibérica: um filme sobre Pilar e Saramago

domingo, 19 de Julho de 2009

Beirute: Capital Mundial do Livro 2009

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Soube pela CNN que Beirute é até 23 de Abril de 2010 a capital mundial do livro, reunindo ministérios, embaixadas, intelectuais, ONG'S, institutos culturais... Fica o link: http://www.beirutworldbookcapital.com/
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sexta-feira, 17 de Julho de 2009

O novo de Mia Couto...

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quarta-feira, 15 de Julho de 2009

Plano Nacional de Leitura


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As listas do Plano Nacional de Leitura foram actualizadas agora em Julho. Destaco a existência de uma lista de obras para alunos do Secundário:
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E deixo as sugestões de leitura para o 3ºCiclo:
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domingo, 12 de Julho de 2009

Ainda Amin Maalouf...

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A "Visão" desta semana traz uma breve entrevista com este escritor contemporâneo que, em tom de desafio, afirma "Estamos a viver o fim da Pré-História da Humanidade", ao mesmo tempo que sublinha a premência de um debate sobre a identidade da Europa e a necessidade de "uma civilização global". Uma boa motivação para a descoberta do mundo literário de Amin Maalouf, que nasceu árabe e vive numa sociedade ocidental - dupla condição que o leva a afirmar: «O Ocidente precisa de sair do excesso de confiança em si mesmo, enquanto o mundo árabe precisa de sair do poço histórico em que caiu.»
Auxília Ramos

quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Amin Maalouf

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Hoje, a partir das 18h, no auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, um encontro com o embaixador António Monteiro, moderado por António Vitorino, tendo como ponto de partida o livro Um Mundo Sem Regras (Difel), em que o escritor Amin Maalouf «reflecte o desregramento intelectual, económico, geopolítico e ético do mundo no século XXI». (LER)
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Devo ao meu marido a paixão por este escritor libanês, cujo estilo me faz lembrar Umberto Eco. Uma excelente sugestão para leitura de férias... Intriga, suspense, acção são os ingredientes fundamentais da sua narrativa histórica. Vale mesmo a pena...

terça-feira, 7 de Julho de 2009

FLIP

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Tenho assistido, via ciberescritas, aos relatos de Isabel Coutinho da 7ª Festa Literária Internacional de Paraty, que conta com a presença de variadíssimos escritores. Destaco o testemunho da jornalista sobre a conversa de António Lobo Antunes com o escritor brasileiro Humberto Werneck, no sábado à noite, e que foi publicado no P2 (Público) de hoje: "Foi aplaudido de pé, emocionou e divertiu a multidão. “Deus vos pague!”, disse o escritor no fim, para a plateia, emocionado". Trancrevo o texto completo a seguir aos videos.
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Reencontrei também, através do mesmo blogue, o escritor Milton Hatoum, que tive o privilégio de conhecer pessoalmente, numa das aulas de Literatura Brasileira com o professor Carlos Mendes.
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“A amizade é como o amor. A gente encontra um homem e fica amigo de infância. Descobre um passado comum e há um princípio de vasos comunicantes que começa ali.”
Foi assim que António Lobo Antunes iniciou a sua conversa com o jornalista e escritor brasileiro Humberto Werneck, no sábado à noite, na 7ª Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP). Primeiro ouviu sem dizer palavra a apresentação do jornalista - ignorando algumas perguntas que este lhe ia fazendo - mas quando resolveu começar a falar nunca mais parou. De tal maneira que, no final, nem houve espaço para perguntas do público.“Nós almoçámos juntos ontem e foi um encontro maravilhoso”, disse o escritor português acerca do autor do livro ‘O Santo Sujo - A vida de Jayme Ovalle’ que ali estava com a função de o apresentar e de lhe fazer perguntas. Talvez por isso foi um António Lobo Antunes em estado de graça - divertido, bem-disposto, a fazer piadas, a contar histórias de infância, a aconselhar livros - aquele que em Paraty conquistou a multidão que o aplaudiu de pé no final da palestra que decorreu na Tenda dos Autores e tinha como título Escrever é preciso. Lá fora, na Tenda do Telão, os bilhetes para a sessão também estavam esgotados. E, tal como aconteceu já em outras conferências, havia gente de pé que não conseguiu bilhete. A meio da conferência, o escritor disse para a plateia: “Se vocês continuarem aplaudindo, não vamos sair daqui nunca”.
O escritor português tinha começado a ler o livro sobre Jayme Ovalle escrito pelo seu companheiro de palestra no dia anterior e isso fez com que voltasse atrás no tempo. A leitura das primeiras páginas desse livro lembraram-lhe a descrição da Belém do Pará do século XIX que o seu avô fazia. E serviu de mote para início de conversa.“Para mim, o Brasil não é um país. São os cheiros, os sabores, os doces da minha avó e das minhas tias, a comida, uma maneira de viver e de falar e é sobretudo o meu avô, que está aqui presente em toda a parte. É a terra dele, é a terra da minha família. É a terra de onde vêm os meus nomes Lobo e Antunes”, e por isso para o escritor é “muito comovente” estar de novo no Brasil, onde - apesar de ainda aqui ter família - já não vinha desde 1983.“Os meus bisavós [que viviam em Belém do Pará] mandavam engomar a roupa à Europa e iam todos os anos a águas a Vichy. Viviam como nababos. E uma vez passaram em Lisboa e deixaram o meu avô no Colégio Militar.” Era o seu avô António Lobo Antunes, que era oficial de cavalaria e depois entrou na revolução monárquica em 1918. Foi preso, desterrado para África e acabou depois por ficar em Portugal. Este avô de Lobo Antunes falava com sotaque de Belém do Pará.Os livros que havia em casa deste avô de António eram só livros brasileiros. Machado de Assis, José de Alencar, Azevedo, Monteiro Lobato, toda essa geração. Embora o avô de Lobo Antuneslesse pouco. “Um dia, quando eu tinha doze anos, o meu avó mandou-me chamar ao escritório. Estava com um ar muito severo, muito zangado. Mandou-me sentar em frente dele e disse-me: ‘Ouvi dizer que você escreve versos’. Fez-se um silêncio. ‘Você é veado?’”, conta Lobo Antunes enquanto a plateia se ri às gargalhadas. “Para o meu avô, oficial de cavalaria, quem escrevia versos tinha que ser veado [homossexual]. Eu não sabia o que era ser veado mas disse logo que não. ‘Não, não, não’. Então fui tirar informação. E aquilo que me disseram ainda me tornou mais confuso.”
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Sonetos a Cristo
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António Lobo Antunes começou a escrever versos “por necessidade material”. O seu outro avô tinha morrido e a sua avó era uma mulher “muito piedosa, tinha um oratório em casa, estava sempre rezando”. Então, António Lobo Antunes fazia “sonetos a Cristo” que depois vendia à sua avó. “Isso foi muito bom porque me salvou de andar a pedir esmolas nas esquinas. Entregava-lhe um soneto, fazia um ar triste, ela tinha um oratório muito grande - a minha avó portuguesa - e, à frente do oratório, não sei porquê, é uma relação curiosa, tinha o cofre do dinheiro, mesmo em frente dos santos. Santos, santos, santos e por baixo, o dinheiro. Eu entregava-lhe o soneto a Cristo, que ela punha no oratório, ficava a olhar para ela com olhos de cão batido, até que ela dizia: ‘Quanto queres, filho?’.” Risos por toda a plateia.
O Prémio Camões 2007 tem seis irmãos, todos homens, e entre ele e o quarto irmão existem cinco anos de diferença. A avó do autor de Os Cus de Judas, a determinada altura, tinha uma cozinheira “muito bonita”. Os rapazes iam à missa com a avó ao domingo. A seguir, corriam para casa antes que a avó chegasse para andarem à volta da cozinheira. E, contou António Lobo Antunes, a senhora resolveu “o problema” de uma maneira muito diplomática. “Disse-nos: ‘A partir de agora, vocês têm conta aberta na pastelaria, podem comer todos os bolos que quiserem. E, como os bolos da pastelaria eram melhores que o ‘bumbum’ da criada, nós, em vez de irmos para casa, passámos a ir comer bolos para a pastelaria.”Como eram muitos irmãos com a mesma idade, quando adoecia um, adoeciam todos. “O meu pai, que era médico, era muito severo. O meu pai não queria ter filhos, queria ter campeões de karaté. Tínhamos que ser bons em tudo.” Mas foi graças ao pai que aprendeu a gostar de ler poesia, era o pai que lhes lia poesia (Manuel Bandeira, por exemplo, que está a ser homenageado nesta FLIP) quando estava doente. Ao longo de toda a conversa, António Lobo Antunes teve alguns problemas com o microfone e chegaram mesmo a enviar um bilhete aos oradores a pedir que ele aproximasse o micro da boca. Isso serviu para o escritor, durante a conferência, ir fazendo piadas sobre a sua “má relação com aqueles objectos”. E dizer: “Se o meu avô estivesse aqui, perguntaria…”, a propósito da conotação fálica do microfone. Por vezes, apesar do aparelho que tinha no ouvido, pedia a Humberto que repetisse a pergunta. Aconteceu quando o entrevistador lhe perguntou se era verdade que ele “era bom de briga”? António contou que, quando chegava a casa e estava a explicar ao pai que quem lhe tinha batido era maior do que ele, este aconselhava: “Mordias-lhes os ovos!”.
Humberto Werneck, na sua apresentação, lembrou que alguns críticos consideram que a Academia sueca “cometeu um erro grave de português”, numa referência à atribuição do Prémio Nobel a José Saramago. A meio, disse que “o outro” vinha ao Brasil mais vezes. Lobo Antunes nunca se desmanchou, ficou impávido e sereno.Por fim, Humberto lembrou que, numa entrevista que os pais de Lobo Antunes deram à jornalista espanhola Maria Luísa Blanco, o pai do escritor disse que não lia os seus livros e a mãe disse que lia mas que ficava um pouco contrariada.“Eu também pensava que ele não tinha lido. Mas depois da morte dele encontrei os meus livros todos anotados e uma carta que ele me deixou de 600 páginas. Deve ter levado uns dois anos a escrever aquela carta”, revelou o escritor, emocionando a plateia, de onde se ouviu uma exclamação de surpresa. “A minha família era engraçada. Eu acho que nós nascemos todos por causa da Alemanha. O meu pai, para se especializar na sua área da Medicina, teve que ir para a Alemanha, onde havia a escola de Anatomia Patológica e então vinha uma vez por ano a Lisboa e ficava uma semana. Cada vez que ele vinha, e, depois, quando se ia embora, a barriga da minha mãe começava a crescer. E quando ele deixou de ir para a Alemanha a barriga da minha mãe deixou de crescer. Ainda hoje não sei o que há na Alemanha que faz crescer a barriga. Pelo menos a da minha mãe.”Regresso à escrita?
Lobo Antunes, que escreveu 21 romances em 30 anos, contou como os seus primeiros livros foram recusados por várias editoras e o que passou para chegar ao reconhecimento internacional que tem agora. O seu trabalho foi elogiado pelos académicos e críticos George Steiner e Harold Bloom. “Tive a infinita sorte de ter os elogios dos dois”, disse.Lembrou a sua amizade por Jorge Amado e por João Ubaldo Ribeiro, de quem se tornou amigo quando o escritor brasileiro viveu em Lisboa. E quem chateava por não escrever, por considerar que era preguiçoso. “Íamos a casa de João às duas da manhã e lá estava ele fazendo feijoada de chinelo e calção. Ele vivia o Inverno de Lisboa, que é frio, como se estivesse no Verão da Baía. E às quatro da manhã se comia a feijoada. Depois, não escrevia. Então deu uma entrevista a um jornal, em que lhe perguntavam: ‘João Ubaldo Ribeiro, você já não escreve?’ E ele respondeu: ‘Escrevo. Meu pseudónimo é António Lobo Antunes.’”E vendo toda a paixão de Lobo Antunes a falar sobre como escreve os seus romances, Humberto disse-lhe que não percebia como é que, com toda essa paixão de artista que transparecia na sua conversa, ele estava a anunciar que ia deixar de escrever. António Lobo Antunes respondeu: “É que, às vezes, eu tenho caprichos de cocotte. Você lembra daquela bailarina francesa cheia de plumas no ‘bumbum’, Zizi Jeanmaire?! Às vezes gosto de dar uma de Zizi a abanar as plumas do ‘bumbum’. Há alturas em que se fica desesperado e se pensa que não se vai ser mais capaz. E se pensa: ‘Para quê escrever? Vou deixar de escrever’. É a nossa alegria e o nosso tormento”.No entanto, na Pousada da Marquesa onde está hospedado em Paraty, António Lobo Antunes tem escrito todos os dias...
Isabel Coutinho

Os 100 melhores livros de sempre

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A lista, polémica e redutora como todas as listas, é da Newsweek. De fora ficam muitos nomes consagrados da literatura mundial e, claro, portuguesa, como Pessoa, Eça e Camões... Mas vale a pena consultar com atenção, pelo menos para escolher alguns títulos para estas férias.
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segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Livro(s) do mês - Julho

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O novo romance de Miguel Sousa Tavares e o booktrailer de Barroco Tropical, de José Eduardo Agualusa (sugestão do mês anterior):

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quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Ler - Julho

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quarta-feira, 1 de Julho de 2009

1 de Julho - Dia mundial das biblitecas

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E as mais belas bibliotecas do ocidente aqui.
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Enviado por Auxília Ramos



Musicografias III

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Há já muito tempo que tinha decidido levar, este mês, o musicografias ao "lado de lá" do Atlântico. Lembrei-me de muitos autores de que gosto - alguns mais conhecidos, outros menos, mas não me lembrei da Maria Bethânia. Só quando li, aqui no lusografias, o post sobre Sophia é que esta música me veio imediatamente à cabeça.Esta música chama-se "Debaixo D'Água / Agora", e está no álbum "Mar de Sophia", de 2006.Bethânia cria este CD claramente inspirada na maresia da poesia de Sophia, tal como ela sentencia logo na abertura: “Quando eu morrer voltarei para buscar os instantes que não vivi junto do mar” (in /Inscrição). /Bethânia parafraseia e toma para si os versos da Sophia: “O mar, metade da minha alma é feita de maresia”.
Neste ábum, o canto, o dizer, a alma da Bethânia... Tudo exala maresia. E os textos da poetisa funcionam como pontes que unem os vários mares contidos na essência criativa de Bethânia e que, passo a passo, texto a texto, a desvelam.
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Joaquim Silva

Maria Bethânia - Debaixo d'Água - Agora